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Após quase dois meses, mortes de crianças no Piauí continuam sem explicação

Por falta de laboratório toxicológico no estado, Pericia Cientifica busca parceria para emitir laudo

Créditos: g1 Instituto de criminalística ainda não conseguiu realizar os exames toxicológicos (Foto: Beto Marques/G1) Instituto de criminalística ainda não conseguiu realizar os exames toxicológicos (Foto: Beto Marques/G1)

Os exames necessários para descobrir a causa da morte de cinco crianças ocorridas desde 2012 no Piauí, ainda não foram realizados, segundo o diretor do Instituto Médico Legal, André Biondi. Por falta de laboratório toxicológico, o material aguarda há quase dois meses para ser periciado. Os óbitos são um "mistério" e todas as vítimas residiam no mesmo bairro, localizado no município de Barra D'Alcântara, a 253 km de Teresina.

“O material foi coletado e encaminhado ao instituto de criminalística. Mas em consequência da inexistência do laboratório próprio de toxicologia aqui, esse material ficou de ser encaminhado para alguma universidade ou algum laboratório de outro estado para poder realizar a análise”, informou o diretor.

Desde 2012, são registrados casos semelhantes de morte de crianças na cidade. O último óbito aconteceu no dia 03 de agosto deste ano.

"Foi feita necropsia no corpo e dois peritos colheram amostras de uma planta conhecida popularmente como faveira. Pelo conhecimento científico que se tem, ela é toxica e pode causar óbito, conforme foi detectado nas crianças”, explicou.

O diretor no IML afirmou que os exames são necessários para esclarecer as circunstâncias das mortes. “A questão é determinar cientificamente se a planta tinha capacidade de causar o óbito e se a criança faleceu disso”, disse.

Biondi afirmou ainda que não há estimativa de quando o laudo será emitido. “O diretor da perícia cientifica, Dr. Antônio Nunes, está procurando viabilizar esse exame, mas ainda não há previsão. O material está guardado esperando a viabilização da parceria para fazer essa análise”, pontuou o diretor do IML.

Mesmos sintomas

Segundo o secretário municipal de saúde da cidade, Francisco das Chagas, os óbitos ocorreram em um período de cinco anos e se relacionam devido à proximidade da residência das vítimas, mesmos sintomas, forma como ocorreu a morte e o fato de todas as vítimas serem crianças. A mais nova tinha apenas um mês de vida e a mais velha, sete anos.

"Todos moravam no mesmo bairro. As crianças mais velhas estavam todas brincando perto de uma faveira e morreram rapidamente, em menos de duas horas no caso dessa última. Elas sentiram náusea, pressão no peito e dor de cabeça e morreram no hospital com insuficiência respiratoria", declarou o secretário.

Fonte: g1
Editor: Evandro Jr,

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