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Caixa diz que Wellington não prestou contas do empréstimo

Centenas de prestadores de serviço e fornecedores do Estado estão de olho nesse dinheiro.

Créditos: Google Governador Wellington Dias Governador Wellington Dias

Não há data marcada para que o Governo do Piauí receba dinheiro de empréstimos contratados junto a Caixa Econômica Federal. O banco informou ao ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal que até possui um planejamento para desembolsar os recursos, mas lhe garantiu que não o fará sem que o Estado lhe dê as garantias de que não vai desviar a finalidade do dinheiro. A Caixa cita que o Tribunal de Contas do Estado, o Ministério Público Federal e a Justiça Federal já manifestaram desconfiança sobre o uso de recursos de empréstimo pela gestão de Wellington Dias (PT).

Para facilitar o entendimento: o Piauí tem dois contratos com o banco, o FINISA 1, no valor de R$ 600 milhões, e o FINISA 2, no valor de R$ 315 milhões. Todos os problemas que impedem o dinheiro de qualquer destas operações de crédito chegar ao Piauí reside num fato apenas: o governador Wellington Dias não conseguiu, até o momento, comprovar como gastou R$ 307 milhões do FINISA 1 em 2017 em obras que ninguém sabe onde estão.

Em documento enviado pela Caixa Econômica Federal (CEF) ao Ministro Edson Fachin, o banco explicou que Governo do Piauí não realizou a devida prestação de contas do dinheiro referente a primeira parcela do empréstimo, feito pela Caixa ao Governo. Por esse motivo, está pendente a segunda parcela do empréstimo de R$ 600 milhões feitos ao Governo do Piauí, bem como o segundo empréstimo.

O GOVERNO MENTIU

Na avaliação do advogado Valter Alencar (PSC), autor da ação popular contra o Governo do Estado e contra a Caixa Econômica que pede investigação de supostas irregularidades, a comunicação de Wellington Dias mentiu deliberadamente sobre o assunto. “Os agentes públicos representantes do Estado anunciaram nos veículos de comunicação que o Ministro Fachin do STF iria liberar o segundo empréstimo, ainda que a prestação de contas do primeiro esteja pendente, ou seja, o governo mentiu”, comentou.

Segundo informa a Caixa ao ministro Fachin, não houve qualquer tipo de interferência política contra a gestão de Wellington Dias para que o dinheiro não fosse liberado. Pelo contrário: o governo dificultou o trabalho do banco na hora de prestar contas do dinheiro já recebido no primeiro empréstimo. O Estado atolou a Caixa de documentos desordenados e confusos, dificultando o serviço de verificação do uso dos recursos.

A Caixa deixa ainda de maneira bastante clara que o governo de Wellington Dias enviou ao banco uma prestação de contas repleta de inconsistências. E segue desmentindo a versão contada pela comunicação oficial do Governo.

Segundo o documento da Caixa, ainda na semana passada o Governo estava entregando documentos referentes à primeira parcela do FINISA 1. Vale frisar que estamos falando de obras que Wellington Dias alega ter feito há mais de um ano. E depois desse tempo todo ainda não conseguem comprovar de maneira inquestionável?

O banco lembra ainda que, apesar de haver o interesse da gestão de W.Dias em ver liberado o FINISA 2, o contrato desse empréstimo não deixa dúvidas: a Caixa pode suspender o repasse se houver problemas em outros contratos. É o que existe no momento. A Caixa considera que Wellington não prestou contas dos recursos públicos

Há dois meses, o ex-presidente da Caixa, Gilberto Occhi, afirmou categoricamente que sem prestar contas da primeira parcela do FINISA 1, o Governo do Piauí não receberia, por força do contrato, a segunda parcela daquele empréstimo e também ficaria impedido de receber o FINISA 2.

CONTA ANTIGA NÃO PODE

Centenas de prestadores de serviço e fornecedores do Estado estão de olho nessa empréstimo. Boa parte desse pessoal acredita que, se o dinheiro chegar, eles vão receber o que Wellington Dias lhes deve. Infelizmente, não é assim.

Vale lembrar que a primeira-dama, deputada federal e ex-secretária de Educação Rejane Dias, em entrevista concedida há duas semanas, afirmou que o governo de seu marido iria utilizar o dinheiro do novo empréstimo para pagar o transporte escolar. Existem faturas de 4 meses atrasadas e essa despesa não se enquadra em infraestrutura e saneamento, que são os objetos do contrato do empréstimo.

A Caixa Econômica informou ao ministro Edson Fachin que vai fazer o que não fez antes: obrigar o Estado a utilizar os recursos dentro da conta vinculada. De lá, o dinheiro só poderá sair para a conta das empresas que realizarem as novas obras. Ainda pede que seja qual for a decisão dele, que estabeleça a condição de que sem prestar contas do uso, ainda que haja um cronograma de desembolso, o Estado continue impedido de receber mais dinheiro.Veja!

Fonte: politicadinamica.com
Editor: Evandro Jr.

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