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Candidatos moderam discurso em busca do eleitor de centro

Ciro Gomes: movimento da direita para a esquerda e, agora, em busca do eleitor de centro

Créditos: cidadeverde.com Ciro Gomes Ciro Gomes

Os analistas de campanhas mundo afora costumam dizer que ganha uma campanha quem conquista o eleitorado de centro. A eleição de Emmanuel Macrón, na França, seria um caso típico. Mas é bom lembrar de Trump, que nega a tese. Os pré-candidatos ao Palácio do Planalto, no entanto, parecem acreditar na afirmação. E boa parte já começa a moldar o discurso para não ficar encurralado nem à direita nem à esquerda.

No Brasil, o casso mais clássico de movimentação para o centro foi o PT, que resolveu ainda nos anos 1990 moderar o discurso em busca de um eleitorado de centro e centro-direita que se mostrava resistente e terminava por derrotar Lula. O Lulinha Paz e Amor de 2002 é a tradução dessa mudança, culminando com a famosa Carta ao Brasileiros – que, de fato, foi uma carta aos empresários e ao mercado.

Agora políticos que abraçavam um discurso de confronto começam a baixar  tom. Um deles é o próprio Lula, que há alguns anos alimentava o “nós contra eles” e, nos últimos tempos, passou a adotar um tom mais conciliador, capaz de unir mais forças em torno do PT. João Dória (PSDB), que também partiu para o confronto (contra o próprio Lula), viu que estava indo para a direitona e resolveu tentar discurso mais ao centro.

Mas os exemplos mais fortes são mesmos os de Ciro Gomes (PDT) e Jair Bolssonaro (PSC).

No caso de Bolsonaro, a tentativa de mostrar-se mais palatável começou com uma viagem aos Estados Unidos. Com ela, quer fazer crer que é um estadista e que não tem o único discurso da violência contra a violência: na viagem, empunhou propostas liberais na tentativa de cativar investidores.

O problema é que o pré-candidato do PSC não resiste: nos Estados Unidos terminou testando pistolas e defendeu modelos mais letais para o Brasil. É Bolsonaro sendo Bolsonaro, alheio às estratégias marqueteiras.

Já Ciro Gomes se notabilizou por trajetória erratica: nasceu na Arena, cresceu no PDS, passou pelo PMDB e projetou-se no PSDB. Em busca de caminho próprio, foi para o PPS, experimentou o PSB e o PROS para, enfim, dizer-se brizolista no PDT. Ciro também é conhecido por uma língua afiada que pode ser comparada a uma metralhadora giratória. São conhecidas suas reações nada diplomáticas, em especial na eleição de 2002, quando chegou a ser uma ameaça à liderança de Lula. Por pouco tempo: pressionado por eleitores e jornalistas, respondeu o que não devia e ganhou a imagem de espoletado.

Agora Ciro tenta atenuar o discurso, abandonando de vez o espectro de esquerda e  abraçando a centro-direita. O primeiro que conseguiu foi desagradar os aliados de até ontem o PT. Talvez, com a mudança, Ciro deseje afastar-se da imagem dos velhos aliados sem deixar de atacar o governo Temer, seu alvo preferido.

Fonte: cidadeverde.com/fenelon rocha
Editor: Evandro Júnior

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