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Dilma poderá ser candidata ao Senado pelo Piauí

Dilma vai encarar o Senado pelo Piauí?

Créditos: Reprodução Dilma Roussef Dilma Roussef

Sim, na pressa que caracteriza a natureza do jornalismo diário, já divulguei informações nas quais não acreditava, mas acreditava na fonte. Em muitos casos, elas se mostraram depois como absolutamente corretas. Em alguns, muito poucos, não se confirmaram. Ou porque foram desmentidas pelos fatos ou simplesmente porque houve mudança de rota, pois, como alguém já disse, a política é como nuvem: você olha para o céu, ela está de uma forma; um instante depois, você olha de novo e ela já mudou.

Eu escreveria mais de um livro relatando esses episódios. Mas não é disso que me ocupo agora. No momento, venho apenas fazer um adendo à informação que dei, na segunda-feira, sobre uma articulação política para um eventual lançamento da candidatura da ex-presidente Dilma Rousseff ao Senado pelo Piauí.

É fato ou boato?

Ela faz sentido? Sim e não. Para começar, é plenamente viável a candidatura da ex-presidente em 2018. Embora tenha sofrido o impeachment, no ano passado, ela não ficou inelegível. Seus direitos políticos foram salvos na última hora, em uma pedalada do Senado, sob o comando de Renan Calheiros (PMDB).

Em 1992, o presidente Fernando Collor, derrubado do cargo através do impeachment, perdeu os direitos políticos por 8 anos. De lá para cá, a Lei do Impeachment não mudou. É possível, no entanto, que a pedalada amiga de 2016 no Senado seja questionada quando Dilma se apresentar como candidata.

A volta de Collor

Muito bem! Quando recuperou os direitos políticos, Collor, o primeiro presidente do Brasil a sofrer o impeachment, retornou à vida pública como senador da República. Como Dilma não perdeu seus direitos políticos, é consequente imaginar que ela postule, legitimamente, voltar à cena política como senadora.

Collor, um animal político por excelência, foi buscar reparo político para sua biografia em seu Estado, Alagoas. O domicílio de Dilma é o Rio Grande do Sul, onde perdeu a eleição presidencial de 2014. Como ex-presidente, ela pode escolher qualquer estado para pleitear um mandato ao Senado.

Outros casos

Getúlio Vargas, deposto da presidência, foi eleito senador por dois estados em 1946 – Rio Grande do Sul e São Paulo. Embora com coração mineiro, JK elegeu-se senador por Goiás, ao deixar a presidência.

Além de Collor, na Nova República, José Sarney, um animal tão ou mais político quanto os ex-presidentes citados, também correu atrás de um mandato de senador ao deixar o Palácio do Planalto. Ele fazia política no Maranhão, a sua terra, desde criancinha, mas foi atrás de uma cadeira de senador no Amapá. Seu apurado faro de raposa política acusou que o Maranhão não estava para peixe.

É possível que Dilma se fixe no Piauí, onde obteve a segunda maior votação em sua reeleição, para concorrer às próximas eleições? É! É possível que a ideia não vingue? Também. O que é certo mesmo é que esse tipo de articulação e de decisão não passa pelo baixo clero. 

Fonte: Cidade Verde.Com, por Zózimo Tavares

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