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Garoto de 13 anos encontrado em presídio trabalhava em carvoaria na unidade, afirma sindicato

Adolescente exerceria atividade degradante, segundo denúncia apresentada pelo Sinpoljuspi

Créditos: G1 Madeira derrubada serviria para carvoaria irregular em presídio no Piauí (Foto: Sinpoljuspi) Madeira derrubada serviria para carvoaria irregular em presídio no Piauí (Foto: Sinpoljuspi)

O garoto de 13 anos encontrado debaixo da cama de um detento no Piauí trabalhava na Colônia Agrícola Major César Oliveira, a unidade penal localizada no município de Altos, a 38 km de Teresina, Norte do Piauí. O menino e os irmãos trabalhavam junto com o pai e o preso em uma carvoaria dentro do estabelecimento prisional. O menino foi localizado no último sábado (30) e segundo a Secretaria de Justiça do Piauí (Sejus), o homem está preso por estupro.

A Sejus afirmou que o caso está sob investigação.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Piauí (Sinpoljuspi), José Roberto, a família tinha livre acesso à penitenciária. “Na verdade lá funciona uma horta e uma carvoaria, ilegal por sinal. O pai trabalhava dia a dia com o filho todos os dias da semana e tinham livre acesso a qualquer horário às dependências da unidade”, explicou José Roberto. O pai do adolescente era ex-detento da Colônia Agrícola Major César Oliveira e após o fim da pena continuou trabalhando na unidade.

O sindicalista afirmou que no depoimento do adolescente houve a confirmação do trabalho infantil e em condições degradantes. “Desmatavam a madeira da área para fazer carvão e esse carvão era vendido. Ninguém sabe para onde ou para quem e o pior é que o pai se utilizava nas suas atividades do trabalho das três crianças, algo que o adolescente confirmou em seu depoimento”, comentou acrescentando que a situação é anormal para o sistema penitenciário.

Para José Roberto a presença das crianças e do pai, assim como a atividade de carvoaria não poderia se desenvolver sem conhecimento da direção do sistema penitenciário no Piauí. “Isso tudo acontecia com autorização da Secretaria de Justiça através da direção da unidade e do gabinete do secretário”, relatou o presidente do Sinpoljuspi ainda lembrando que não há autorização para que uma carvoaria funcione dentro da unidade prisional.

Questionado sobre que benefícios o pai do adolescente teria a partir do trabalho na unidade, já se tratando de ex-detento, José Roberto afirmou que havia a venda dos produtos. “Esse carvão era vendido, bem como os itens da horta e segundo o detento esse dinheiro era repartido entre ele e outras pessoas da secretaria de Justiça”, reforçou.

Fonte: G1
Editor: Evandro Júnior

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