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Margarete Coelho e Regina Sousa podem ficar de fora da chapa majoritária em 2018

Os acordos políticos podem fazerm com que as duas percam seus espaços na eleição do ano que vem

Créditos: politicadinamica.com Margarete e Regina (Foto:Jailson Soares/PoliticaDinamica) Margarete e Regina (Foto:Jailson Soares/PoliticaDinamica)

Hoje em dia, muito se fala na participação da mulher na política. Mesmo sendo a maior parcela do eleitorado brasileiro, elas ainda ocupam poucos cargos eletivos em relação aos homens. O Congresso Nacional discute, inclusive, a fixação de uma cota feminina que garanta maior participação delas no poder. Atualmente, essa cota existe apenas para candidaturas, mas não para o total de cadeiras nos parlamentos.

O problema é que a presença feminina nos poderes políticos nem sempre é estimulada pelos partidos e pelos caciques que os comandam. Na maioria das vezes, a conjuntura política tende a não beneficiá-las. No Piauí, por exemplo, temos uma situação um tanto controversa: duas mulheres, pioneiras nos cargos em que ocupam, correm sério risco de perderem o posto. Não no voto, mas em decisões a portas fechadas.

Margarete Coelho (Progressistas) e Regina Sousa (PT) fizeram história em 1º de janeiro de 2015. Naquela data, elas tomavam posse nos cargos de vice-governadora e senadora da República, respectivamente. Margarete se tornou a primeira mulher a assumir o cargo de vice-governadora na história do Piauí. Já Regina, uma ex-quebradeira de coco, se tornava a primeira mulher senadora da República pelo estado piauiense.

Passados pouco mais de três anos e há menos de 10 meses da eleição, elas ainda lutam para conseguir, pelo menos, disputar a reeleição. Apesar da importância dos postos que alcançaram, nenhuma delas tem poder de comando em seus partidos, estando sujeitas a decisões dos dirigentes maiores. Quis o destino que as duas vagas mais cobiçadas por outras siglas na chapa do governador Wellington Dias (PT) fossem justamente as delas.

No caso de Margarete, o partido tem defendido sua permanência como vice na chapa majoritária do governador petista. Já a situação de Regina não é a mesma. Segmentos do Partido dos Trabalhadores lutam para que ela tenha o direito à reeleição respeitado, mas as cabeças maiores não se manifestam firmemente sobre o assunto. Para uns, a vaga tem que ser de Regina, para outros, o posto dela é um espaço aberto à negociação.

Também chama a atenção o fato de que nenhuma delas tem a vaga ameaçada por outra mulher, mas sim por homens que ao longo dos anos se perpetuaram na política do Piauí. Outro ponto que vale ressaltar é que a ameaça não leva em conta o desempenho de Margarete e Regina no exercício dos seus mandatos. Na vice-governadoria, a atuação de Margarete é reconhecidamente uma das melhores já vistas até aqui. Ela não foi uma vice meramente decorativa, como costuma ser a maioria.

O desempenho de Regina como senadora é contestado por alguns segmentos, mas também tem sido bem visto por outros. Ela conseguiu chegar à presidência da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa, uma das mais importantes do Senado, e seu currículo não envergonha o Piauí. Mesmo chegando ao cargo após ter sido suplente de Wellington Dias [que saiu para assumir o governo do Piauí em 2015] ela buscou seus espaços.

Aprovando ou não o desempenho delas, concordando ou não com suas posições, o certo que o pioneirismo conquistado por Margarete e Regina talvez merecesse um pouco mais de “consideração” ou outro termo que os caros leitores acharem mais adequado. Não vou aqui adotar um discurso exagerado, e por vezes vitimista, de certos segmentos e dizer que essa situação ocorre simplesmente pelo fato delas serem mulheres. Não é bem isso!

O que se levanta aqui é uma possível perda de espaços justamente no momento em que a política discute maior participação feminina nas disputas eleitorais. E o pior: no caso de Margarete e Regina, boa parte dos atores principais do caso conduz as articulações sem sequer usar como balizador o desempenho das duas [independentemente deste ser bom ou não], considerando apenas fatores meramente políticos. Eis aí agravante problema.

Fonte: politicadinamica.com
Editor: Evandro Jr.

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