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Principais livros de Albert Camus são relançados no Brasil

Filósofo franco-argelino foi tão relevante em sua produção literária quanto no pensamento filosófico

Créditos: estada.com.br Albert Camus Albert Camus

Estávamos em meio à guerra, em 1943. Eu vivia num vilarejo do Jura. Chovia sem parar. Um dia, entediado, fui debaixo de chuva à cidade próxima, Lons-le-Saunier. Uma livraria estava aberta. Ali, descobri dois livros de um escritor cujo nome jamais ouvira, Almert Camus: O Mito de Sísifo e O Estrangeiro. Comprei o primeiro. No dia seguinte, voltei e comprei o segundo. Li em uma noite. A chuva não parava.

Lembro-me da primeira frase, sufocante, terrível: “Hoje, mamãe  morreu. Ou talvez tenha sido ontem, não sei”. Em seguida, vinham dias de entorpecimento, de prazeres estúpidos, de vagar a esmo, num dos quais, como num pesadelo, o mesmo personagem mata um árabe. Mais tarde, ele termina na guilhotina. O livro termina com uma última frase de arrepiar: “Enfim, soube que havia sido feliz e era feliz. Para completar, para que não me sentisse sozinho, desejava apenas que houvesse muitos espectadores em minha execução e que me recebessem com gritos de ódio”. 

Os livros de Camus se completam: em O Mito de Sísifo, ele teoriza sobre o absurdo da condição humana em um mundo, a seus olhos, sem Deus. Já O Estrangeiro é o romance do próprio absurdo da vida. Soberbos no plano literário, esses dois textos são desesperadores, um caminho direto para o nihilismo, a resignação, a submissão, a apatia e a indiferença. Uma vez que a vida não tem sentido, não existe céu e cada homem vai  desaparecer sem deixar rastros, nosso destino é um destino de insetos.

Fonte: estadao.com.br
Editor: Redação

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