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PT sofre maior revés com prisão de Lula

"Lula derrapou em algumas curvas do poder", diz o jornalista

Créditos: cidadeverde.com Lula nas grandes greves do ABC paulista: nascimento de um líder popular  (FOTO: Acervo Memorial da Democracia) Lula nas grandes greves do ABC paulista: nascimento de um líder popular (FOTO: Acervo Memorial da Democracia)

A determinação do juiz Sérgio Moro, para execução da pena de prisão do ex-presidente Lula, vai se convertendo no maior revés da história do partido. É também o ponto mais fundo da trajetória do próprio Lula, um político que cresceu às custas de uma inquestionável capacidade de encantar e liderar, mas que derrapou em alguma das curvas do poder.

Especificamente em relação ao PT, é um partido que nasceu à sombra de Lula, na sequência das grandes greves dos metalúrgicos do ABC, na virada da década de 70 para os anos 80. O PT nasceu ali, em fevereiro de 1981, nos estertores da ditadura e como consequência da reforma partidária parida em dezembro de 1980 por Petrônio Portella.

O PT não empolgou de pronto. Não. Gerava desconfianças, sobretudo entre aqueles que se dispunha a representar – os trabalhadores. Foram quase dez anos para mostrar o primeiro sinal de ressonância popular: a ida para o segundo turno nas eleições de 1989. Mas as desconfianças seguiam. E o PT fez uma profunda reforma interna, em 1995, excluindo as “tendências” mais radicais e encaminhando a sigla para a centro-esquerda.

Capitaneada por José Dirceu, a reforma deu frutos e o PT chegaria ao poder nacional em 2002, aí já em estreita relação com forças tradicionais da política, como José Sarney. Talvez tenha sido o passo mais tradutor do futuro que viria, depois materializado nas revelações do Mensalão e da Lava Jato. Nesses escândalos, o partido viu um punhado de suas principais lideranças – entre elas o mesmo José Dirceu, José Genoíno e Antônio Palocci – acabando entre as grades.

Foram perdas sentidas. Mas o PT seguia com sua principal referência: Lula. Ocorre que também Lula tem um encontro marcado com a prisão. E o PT sente mais que qualquer outra baixa. Lula cresceu e ficou maior que o PT. É, ao mesmo tempo, porto e a bússola do petismo, que não conseguiu produzir outra liderança que sequer chegue perto do carisma do ex-presidente.

Não por acaso o PT se apegou a todos os recursos para manter Lula na estrada e nos palanques. Não pretende desistir, ainda que as possibilidades que se apresentam como alternativa sejam escassas.
 

Uma biografia com desfecho inesperado

A prisão do ex-presidente Lula, determinada pela Justiça Federal de Curitiba, não era o desfecho esperado, tampouco previsto para a trajetória de Lula. Uma trajetória de filme, no que de fato se transformou. Retirante nordestino, chegou a São Paulo apenas com a esperança. Cresceu como metalúrgico e se tornou sindicalista. Líder do grande sindicato do ABC – a poderosa zona industrial paulista –, Lula se fez referência nacional.

Logo estaria à frente de um partido, o primeiro a efetivamente nascer com base popular. Com seu carisma, ajudou a fazer do PT uma sigla importante. Em certo sentido, desde o começo Lula era o PT e o PT era Lula. No Planalto, Lula era o governo e o governo era Lula. E aí começou o descaminho.

A prisão agora determinada é como a cortina que encerra um espetáculo que prometia ser um agradável e feliz conto de fadas, mas que acaba como tragédia.

Fonte: cidadeverde.com/Fenelon rocha
Editor: Evandro Jr.

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